Eu Sou


Eu... Poeta fajuto, filósofo de beira de estrada, existencialista luxuoso, burguês mal amado, palhaço triste... Uma contradição... Por fim, anjo com asas de arlequim, com muito orgulho!

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Instruções para chorar

 “Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e num som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.

Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isso lhe for impossí­vel por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas e nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.

Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência, no canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.”


(Julio Cortázar  in  "Histórias de Cronópios e de Famas")



- by Júnior Creed at 00h42
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De quando eu busquei seu olhar ouvindo Nara Leão

 

Alguma coisa nova que faça algum sentido, que me perca em doses com Special K, que não seja tarde demais, que eu não me arrependa, alguma coisa que me surpreenda, meia noite, noite e meia, dia e noite, algo que me conceda paz de espírito, sem cor, nem ordem, ódio ou equilíbrio, algum amor carente, mas sem suplício, alheio, corações ilhados, alguma coisa que me faça mudar de opinião fácil, que eu mude as idéias e os fatos, alguma canção antiga, velhas roupas desbotadas, fora da rotina, alguma coisa sua, alguma coisa nossa, alguma coisa bossa nova.

 



- by Júnior Creed at 13h33
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 sobre eu e você

 

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde,

desde às três eu começarei a ficar feliz".

(Antoine de Saint-Exupéry)

 

 

Porque ficou pouco mais de dois dias apaixonado olhando a lua quase cheia da janela de seu quarto sonhando em falar as devidas palavras de amor e afeto, de carinho e proteção, de desejo e ternura e tantas outras coisas idealizadas, coisas essas que guardamos dentro de nós mesmos, porque se tomam a imensidão, tomam novas formas, diferentes, corrompidas.

 

Como uma caixa de Pandora sacra, eu guardei todos os segredos dele lá.

 

Nem tão alto, mas tão vivo, meu Deus, uns olhos grandes, um oceano ali dentro que refletia a luz do sol. Ele se interessava por astrologia, recitava mantras, quando a última estrela do céu cair, farei da noite escura um recanto apaziguador, dizia, às vezes, para fingir autoridade perante os ouvidos desavisados.

 

Os pelos do peito forte em total sincronia com a aura, luminosa, que concebia ao simples toque de seus dedos em minha nuca, um choque de idéias que, assim como a calada da noite trazia um mistério inebriante.

 

Não sei o que senti... Apenas me entreguei a tudo. À situação, aos olhares, ao desejo estampado em nossas faces. Em meio a uma bagunça de movimentos de pessoas procurando serem achadas, num estalo pirotécnico, fui agarrado pelo braço, arrebatado... E do resto, já não me lembro.

 



- by Júnior Creed at 21h35
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