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Um toque de epifania
Falam que sou apenas sentimental, e outros dizem que sou apenas romântico, demasiado, bem verdade, um pote de mel com formiguinhas alheias subindo e descendo no açúcar cristalizado, apenas uma paisagem matinal, simples, daquelas tão triviais que a rotina nem é notada, faz parte de um ciclo de vícios naturais. Os olhares se encontram logo cedo, quando o sol ainda responde timidamente aos anseios da claridade que jaz lá atrás da montanha, como desenhos feitos por crianças da pré-escola, um sorriso num raio luminoso que desponta rodeado por corações vermelhos e beijos em formato de morangos minúsculos, ou casinhas de telhado triangular com fumaça saindo pela chaminé. Diriam ainda que sou ingênuo pela persistência por acreditar em coisas tão tolas... Porque talvez amar sem vergonha seja apenas tão antigo quanto o ato de falar. E ainda hoje falamos. Como se isso fosse novidade... Ao apontar para o céu, diariamente, afim de indicar ali um momento de rara beleza e inspiração faço promessas absurdas ao invisível na tentativa de calar mais a ânsia de se aceitar humano.

O caminho de volta
E ficou tanto tempo fora que já não sabia o que dizer quando voltasse, porque até a sensação do voltar era dúbia, trazia consigo uma espécie de medo, construída pela insegurança, mas também uma vontade de louca de dar notícias, de dizer que a vida caminhava a passos longos, mas com gosto de bala de hortelã. Que tudo estava bom demais para ser verdade e quão linda estava sendo a realidade, bem diferente dos momentos de turbulência que culminou com a viagem de outrora. Como naquela canção antiga, “O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”, e nesse girar natural que é a vida, eu retorno para onde nunca deveria ter saído, ou talvez deveria, sei lá, o sentido da valorização das coisas só se dá na ausência. Nessa atmosfera onírica, eu aviso: sim, estou de volta. E abro meu maior sorriso para quem passar pelo meu caminho...