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“Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão,
o meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver.
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
e arriscar tudo de novo com paixão”
(Coração Selvagem, Belchior)
Adeus...
Tudo está passando tão rápido. O ano, a vida, as pessoas, uns nascem, outros não. Tenho recebido muitas críticas de quem não me conhece, acusando-me de tristeza. Eu não sou triste, eu estou triste. E não gosto de explicar que isso faz parte de um processo de amadurecimento tão antigo quanto o ato de pensar e tão necessário quanto o fato de respirar. Tenho lidado com as perdas com a maturidade de quem perdeu o bonde, mas que senta no corredor, talvez no chão de uma grande estação, e espera uma nova partida, a qualquer destino, a rota é a que menos importa. Se não sabemos quem somos, pra onde vamos também é um mistério.
Hoje eu pego o primeiro bonde que passa e me despeço do Vale da Solidão. Uma despedida solene de um lugar que durante dois anos e meio foi um diário aberto da minha vida, dos meus sonhos, de meus ideais e minhas fraquezas. No momento atual, outras coisas fazem-se prioridade e eu tenho que responder os chamados da vida real. Estou cursando Ciências Sociais, fazendo uma pós-graduação – sou formado em Filosofia -, além do meu trabalho que toma a maioria do meu tempo. Seria inviável manter o Vale da solidão, porque embora sobre inspiração, falta-me disposição.
Talvez, um dia, eu volte. Ou não.
Aos amigos que fiz aqui, fica o meu agradecimento pelo reconhecimento e pelo carinho, obrigado por terem me dado o poder de voar, mesmo com minhas asas de papel. E, acreditem: “nada vai conseguir mudar o que ficou.” E ficou muito de todos vocês, levo-os no lado esquerdo do peito.
Júnior Creed
Juniorcreed83@gmail.com