Eu Sou


Eu... Poeta fajuto, filósofo de beira de estrada, existencialista luxuoso, burguês mal amado, palhaço triste... Uma contradição... Por fim, anjo com asas de arlequim, com muito orgulho!

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"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."

 

Caio F.



- by Júnior Creed at 09h18
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Santa Chuva

 

Há uma chuva torrencial caindo dentro de mim e relâmpagos iluminam minha insanidade, raios cortam minha sensatez, o mundo desaba – deságua – numa corredeira limpa e nova, que me banha, me molha, de tal maneira que me confundo entre ser rio e mar ou o encontro de ambos, se sou metade peixe ou um peixe humano, se sou o canto da sereia no fundo do oceano, ou rei Tritão, com um tridente poderoso dominando as marés com apenas um suspiro. Anêmona, é o que sou, utilizando meus ágeis tentáculos a fim de conseguir me manter vivo na lucidez ensandecida, agarrando-me em pedras escorregadias, algas marinhas...

 

“Meu coração vai se entregar à tempestade...”

(Marcelo Camelo)

 



- by Júnior Creed at 12h19
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Da saudade incessante ao desejo de paz

 

Eu quis tanto segurar a sua mão mais vezes, pra dizer que ficaria tudo bem, que tudo era uma fase complicada, diria palavras bonitas e frases feitas recheadas de lições de auto ajuda, mas eu estaria mentindo, e eu não sei mentir para quem eu amo, por isso preferi o silêncio muitas vezes. Eu fui chorando por você, seguro nos braços de amigos, sem querer ver sua última moradia, depois me falaram que seria embaixo de uma árvore, e que esta daria lindas flores nas primaveras seguintes. O amor brotaria, sempre. Não posso mais ouvir Nelson Gonçalves, quando ele diz que “naquela mesa está faltando ele”, eu sei que ele fala de você, fala da saudade que eu sinto, de não tê-lo mais perto de mim. Até a casa ficou maior, os espaços, os cômodos cresceram, mas seus cantos continuam intactos, intocados pela atmosfera de sua presença constante na memória de quem sempre vai amá-lo. São estas lembranças diárias, se há um dia mais quente ou mais frio, não importa, que a gente pensa quão sério era mensurar afeto, pra eclodir em sentimentos... Nada será como antes, nem hoje, nem amanhã. A gente se acostuma com vários tipos de ausência, a pior é aquela que não consentimos, talvez o que mais dói seja ver partir quem não queremos que vá, sabendo que não volta, que caminha numa estrada cujo caminho só existe o de ida, beira a eternidade, de alma e lembrança. Hoje mesmo a saudade falou mais alto e eu quis tanto te desejar paz, te abraçar como nunca fiz, “eu não sabia que doía tanto uma mesa num canto, uma casa e um jardim”...



- by Júnior Creed at 12h10
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