
Eu Sou |
Links |
Arquivos |
- 01/11/2009 a 30/11/2009
- 01/10/2009 a 31/10/2009
- 01/09/2009 a 30/09/2009
- 01/08/2009 a 31/08/2009
- 01/07/2009 a 31/07/2009
- 01/04/2009 a 30/04/2009
- 01/03/2009 a 31/03/2009
- 01/02/2009 a 28/02/2009
- 01/01/2009 a 31/01/2009
- 01/12/2008 a 31/12/2008
- 01/11/2008 a 30/11/2008
- 01/10/2008 a 31/10/2008
- 01/09/2008 a 30/09/2008
- 01/08/2008 a 31/08/2008
- 01/07/2008 a 31/07/2008
- 01/06/2008 a 30/06/2008
- 01/05/2008 a 31/05/2008
- 01/04/2008 a 30/04/2008
- 01/03/2008 a 31/03/2008
- 01/02/2008 a 29/02/2008
- 01/01/2008 a 31/01/2008
- 01/12/2007 a 31/12/2007
- 01/11/2007 a 30/11/2007
- 01/10/2007 a 31/10/2007
- 01/09/2007 a 30/09/2007
- 01/08/2007 a 31/08/2007
- 01/07/2007 a 31/07/2007
- 01/06/2007 a 30/06/2007
- 01/05/2007 a 31/05/2007
- 01/04/2007 a 30/04/2007
- 01/03/2007 a 31/03/2007
- 01/02/2007 a 28/02/2007
- 01/01/2007 a 31/01/2007
- 01/12/2006 a 31/12/2006
- 01/11/2006 a 30/11/2006
- 01/10/2006 a 31/10/2006


Voo ali
Perguntam-me da falta e eu penso que sobra tanta falta, ou falta tanta sobra, de carinho, de gente mesmo, de carne e osso, de palavras. Outro dia, me peguei relendo velhos escritos - Escrevo cartas imensas a mim mesmo, ao meu eu do passado que ousa visitar-me às tardes quando me encontro sozinho – e percebi que tenho mudado tanto e tão rápido que aos poucos não me reconheço, perco-me em falácias cheia de metáforas, comparações infantis. Sou um poço de contradição.
Muita coisa acontecendo, preguiça de pensar, falar, existir, 30 mg diárias de Roacutan, novo curso na faculdade, pós-graduação nos fins de semana, Foucault, dilemas, voltei a fumar, coração partido...
Eu realmente preciso de férias, para ver o céu mais claro, para tentar amanhecer mais calmo. Volto em março, antes do outono, antes das folhas caírem, antes de tudo. “Guarde um sonho bom pra mim”, se possível.

Filme triste
Ele me ligou ontem à tarde para dizer que chega amanhã cedo e vai encher a minha casa de perfume amadeirado, como as relações enraizadas de outrora. Eu não sei se lembrarei de falar do aumento do salário, das mudanças do cotidiano, das coisas que passam na TV, eu não sei se ele se interessa mais. Se vamos tomar café da manhã juntos, se vamos ao parque ver as crianças brincarem na roda-gigante, se a fonte luminosa vai iluminar nossas faces e jorrar água limpa e colorida para o nosso amor. Ele não sabe se vem, essa é a verdade, e se ainda é o meu bem, eu senti pela entonação da voz. Talvez eu apenas espere-o tomando vinho branco e ele nunca mais volte, talvez eu já o tenha esquecido também, jogando videogame por toda madrugada que não passa, revendo seriados dublados e mofados, ouvindo músicas de fossa... Um filme antigo, nem tão antigo, passa em minha mente, mas tão triste, meu Deus, tão triste, embora ninguém morra no final.

“...Ele colou o rosto no tecido e inspirou devagar pela boca e pelo nariz, esperando sentir algum leve vestígio do cheiro de Jack, ranço salgado e doce de cigarro e sálvia da montanha, mas não havia propriamente cheiro, só a lembrança de um, a força imaginada da montanha Brokeback da qual nada restava senão o que ele tinha nas mãos...”
(Brokeback Mountain, Annie Proulx)