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Um novo tempo...
Há uma canção antiga que retrata a chegada de um novo tempo, um período marcado pelas conjunções astrais, alinhamentos de planetas e estrelas que, unidas a um ambiente favorável, ajudará na harmonização do mundo. Crendices à parte, jaz em mim uma nova era, não a mística, com cristais, incensos e trajes hippies, nasce em mim uma sensação de esperança contínua, um acreditar novo na felicidade, um sentimento de paz que me toma de tal modo que posso vislumbrar um clarão na minha aura, diluindo em pensamentos bons, toda e qualquer coisa triste desse ano que termina. E não foram poucas: lidei com doenças e doentes, perdi gente que eu amava, colei cacos de vidro emocionais em lacunas, caí, uma chuva torrencial de níveis catastróficos desabou dentro de mim, meu coração sofreu abalos sísmicos constantes, mas sobrevivi. E quer desculpa melhor para continuar a viver? Sobrevivi às tempestades, vi um novo horizonte em minha frente, não há mais ciscos em minhas vistas, consigo enxergar a realidade - nua e crua - e que não é tão bonita quanto a imaginável. Aprendi a lidar com as perdas, com a certeza de que nada - nem mesmo a morte - é capaz de levar as lembranças boas e gostosas. Talvez eu tenha crescido muito mais nos últimos dois anos e, hoje, tenho certeza, basta ter paciência para encarar qualquer coisa, porque a vida segue um ciclo particular, é ajustada por um relógio paralelo, cujos momentos têm a hora certa de acontecerem. É só esperar...
Agradeço imensamente a todas as pessoas que visitam o Vale da solidão, Obrigado por me fazerem "menos só, menos sozinho, menos pó, menos pozinho". Com o blog e com o feedback de vocês, eu concluí que eu escrevo sobre a solidão, não para a solidão. E isso me enche de orgulho. Um orgulho bobo, mas pueril. Um abraço no coração de cada um. Feliz ano novo!
UPDATE: O Vale da solidão está concorrendo ao "Vazio criativo awards" na categoria melhor post (Carta-mensagem para um ex-amigo que agora é pai). Se alguém quiser me ajudar a trazer o prêmio, é só clicar <aqui> e votar. Engraçado que o mesmo post teve um trechinho citado <aqui> no blog da colega e amiga particular Cin. Ah, e o Vale ganhou uma comunidade no Orkut, presentinho da Isah, se alguém quiser fazer parte, clica <aqui>. O e-mail do blog também mudou, então quem quiser mandar mensagem fora da caixinha de comentários, pode escrever para valedasolidao@gmail.com. Mas só respondo em 2009, ok?

Esperança s. f., ato de esperar; tendência do espírito para considerar como provável a realização do que se deseja; a segunda das virtudes teologais; o que se espera; expectativa; suposição; probabilidade.
Espero que todos tenham um Feliz Natal!

Não saber...
Pedindo licença poética e exigindo uma pausa de mil compassos, não para ver as meninas, mas para perceber a falta de quem esteve em meus braços, hoje eu só queria ter a função de um anjo e guardar seu sono, supor o céu, buscar seus sonhos para mim e, assim, devolver um pouco da luz que emanou das suas íris brancas, porque quando as vi, você olhava para as nuvens em um nublado subliminar, escondia o céu, como escondi o paraíso entre meus pensamentos, mas se eu nunca disse aquelas três palavrinhas, não era porque eu não sentia, mas sim por não saber: não saber o que fazer com aquele sentimento indefeso e, tão pouco desleixado; não saber o que fazer com os dias que ficaram curtos - o amor faz o tempo voar -, não saber da importância, da sua mágoa, do seu desespero, do meu despreparo, das suas sutilezas, das minhas francas fraquezas, não saber que a gente vive um dia após o outro para encontrar um alguém e quando achamos, não reconhecemos, e ele se vai lentamente. Não saber que, mais cedo ou mais tarde, tudo que a gente busca é um ombro e um colo, água limpa em um copo e um solo de guitarra, de uma semente e um terreno fértil pra plantar qualquer coisa que se assemelhe com afeto. Uma xícara de chá de camomila bem forte pra acalmar o tempo e parar o tédio, uma cápsula e meia de um remédio certo pra apagar da mente a hora errada. Saber dói; não saber, destrói.
E Hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo."?
(Vamos fazer um filme, Legião Urbana)

Porque hoje somente tua saliva mata a minha sede e apenas teu suor apaga meu fogo...

Carta-mensagem para um ex-amigo que agora é pai
Ainda lembro todas as vezes que escuto The Police, suas palavras sarcásticas rindo de meus desejos bobos, juvenis. Eu disse que meu sonho era atravessar um deserto qualquer dirigindo um carro velho, sentindo o vento bater e a trilha sonora, como num filme, uma canção que fala assim: 'Every breath you take, every move you make, every bond you break, every step you take... I´ll be watching you...', você sorriu de cantinho de lábio - mania sua - e disse com o seu sotaque arrastado: Juuuuuuuu, isso é tããããããão arquétipo.
Pode parecer estranho, já que nunca tive coragem de falá-lo, mas você era o irmão que eu sempre quis ter, um ente querido que sempre pedi, o amigo fiel, idealizado. Sintonia à primeira conversa, trejeitos, gostos parecidos, era um 'eu' fora de mim, extensão de minha inteligência. Eu ria dos meninos novos e ingênuos, suados e corados, e você queria as meninas mais velhas, experientes. Eu só queria abraçar o mundo com uma mão, você me mostrou que ser abraçado, em alguns momentos, era ter o mundo.
A gente foi se afastando aos poucos, porque a vida gira de tal modo que deixaria enrubescidos os movimentos de rotação e translação da Terra. Quando a gente se vê nas ruas sujas dessa cidade vazia, a sintonia parece voltar, mas depois desanda, nos reconhecemos, mas não mais nos encaramos, talvez porque crescemos e crescer é mudar, mudar é sofrer, sofrer é aceitar isso ou aquilo que nos é imposto, todo dia: responsabilidade.
Ontem vi uma foto sua com seu filhinho e deu uma vontade de ir conhecê-lo, fiquei imensamente feliz de saber que ele nascera com saúde, forte e bonito. Os filhos são misturas dos pais, e isso remete a um papo nosso: ser pai é ter plantado uma semente e colher frutos todos os dias numa árvore que não pára de crescer. A gente pode sempre ter um ex-amigo, mas nunca um ex-filho. Ser pai é uma tarefa eterna. E quão bom amigo você foi, me dá a certeza do pai ideal que você já está sendo. Nossos caminhos ainda se cruzam, eu sei, mas eles nos levam à rotas opostos, porém, ainda há um pedaço seu em mim, na minha lembrança. E ainda recordo, enquanto estiver sóbrio e com boa memória: ainda amigos, mesmo que tenhamos nos separado na dança da vida. Saudades nossas.