Eu Sou


Eu... Poeta fajuto, filósofo de beira de estrada, existencialista luxuoso, burguês mal amado, palhaço triste... Uma contradição... Por fim, anjo com asas de arlequim, com muito orgulho!

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É nele que me perco, fico tonto, me reencontro, sinto e acho, é nele... Talvez pela força que me arrebata, pelo ar de apego, pela força que me inspira proteção. Eu me cruzo nos seus braços, me delicio com seu abraço. Deito no peito largo e me envolvo brincando com tuas mãos, teus pêlos, e avisto o pôr do sol, a noite chegar, a lua aparecer, tilintando o brilho das estrelas em meu colo, mas é nele que me envolvo, o seu abraço macio, quente... O céu se move e eu vôo tranqüilo, sereno, mal seguro os olhos abertos para não acordar de um sonho cuja realidade pode ser conferida pelos vizinhos curiosos nos assistindo de suas janelas. Apago as luzes e o silêncio nos invade, sufocado pelo seu beijo que completa o meu guardar em você.

 

“Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte...”

(Ainda bem, Vanessa da Mata)

 



- by Júnior Creed at 10h06
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Carta do meu eu ao meu eu do passado

 

Você se sente tão mau depois de fazer aquelas coisas, depois de trocar fluidos corporais e tomar antidepressivos para o sono vir mais rápido e evitar cafeína para não ativar o corpo, a mente, a adrenalina, você se perde no meio de coisas pérfidas, pensamentos confusos, barulho de relógio, fumaça de cigarro. Você não pára mais em casa, porque a casa é grande e as paredes emitem diversos barulhos, xingamentos, e você não quer ouvir nada, senão buzinas de carros apressados, gentes, gentes, gentes, conversas de estranhos em bares da esquina, copo caindo, copo quebrando, corações dilacerados, o cotidiano amarelo-manga que passa e ninguém sente, que passa dormente, meio-dia, meio morfina, meio xilocaína, meio antibiótico, meio água oxigenada, meio soda cáustica, meio gripe, meio tosse, meio solidão, meio cochilo no sofá e resto de comida, meio formiga no bolo de manhã cedo, passos que seguem outros passos em qualquer banheiro sujo, uma vista para um mar parado, um barco destruído chamado Harriet, sem vento, sem pássaros, sem maré, sem dó, sem ré, sem mi, sem mim.

 

 

“...No presente a mente, o corpo é diferente

E o passado é uma roupa que não nos serve mais...”

(Velha roupa colorida, Belchior)

 



- by Júnior Creed at 00h06
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Dos sentimentos inexplicáveis

 

...Quando ele for embora vai ficar um vazio tão grande em mim, capaz de caber todo o mar e ainda sobrar espaço. No espaço. Céu e lua em contraste. Mil luas, mil léguas, separado de quem vêm de longe pra quem vai mais perto. Ele me deixará algumas lembranças, poucas. Boas. Eu virarei e darei meu último sorriso: coração, vá por estradas menos tortuosas. Ali na frente não há mais placas e, ou a gente segue os instintos ou vamos todos caminhando pelos lugares que nunca vimos, mas somos obrigados agora a desbravar. À noite desestrelada, insossa, fria, homônimos anônimos seguem procurando continuidades. De rostos, vidas e sensações. Meu coração foi ali, não sei se volta. E se volta. Eu me envolvo, envolto às nuvens passageiras.

 

 

“...Poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear, sozinho...”

(Sapato novo, Los hermanos)

 



- by Júnior Creed at 21h59
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