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Depois de Ter Você
(Adriana Calcanhoto)
Depois de ter você
Para que querer saber
Que horas são?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como essa?
Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas?
Para que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você.
P.s.: Somos tão iguais que vou dormir na esperança de ver nossos corpos – também iguais – se desdobrarem em possibilidades inúmeras, recriando cada teoria em carne, osso e sensações. Que as horas passem, perderemos a hora, mas nunca o tempo, pois estaremos entrelaçados – agora sim, perdidos - nos braços um do outro.

(m)eu livre passarinho
Não, não quero a liberdade de quem cria o coração numa gaiola, como um pássaro de canto sofrido e lento, que teme a liberdade por não saber como lidar com ela, pois acostumara fácil com as grades da prisão. Quero o sonho mais doce de poder dizer que amo, sem medo de ser execrado, ou ainda pintar figuras que simbolizem nossa semelhança e espalhar em inúmeros outdoors pela cidade que nos rodeia, eu não quero “o amor que não ousa dizer o nome”, eu desejo ser capaz de fazer cânticos glorificando o meu afeto, provo a Deus e ao mundo, e a quem mais nos condenar, a sinceridade dessa coisa intensa e verdadeira que sentimos. Peço perdão a quem não voa, pois hoje, mesmo sem asas, eu estou nas nuvens.
“Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor”
[Codinome Beija-flor, Cazuza]

Da possibilidade
Eu queria ser sensível o suficiente para tentar decifrar o que balbucia o silêncio do seu olhar quando eu chego perto. Tenho um medo quase mortal de decepcionar suas íris e tento de todas as maneiras ser o mais belo interiormente para que quando nos encontrarmos vagando como almas tolas, você apenas junte-se a mim, e como quem nunca disse nada, se perca nas noites que há como sombras a me seguirem. Faz tanto tempo que o que eu sentia se transformou... Um amor mutante a cada instante relembra os passos que seguimos ora ou quase, vez

A primeira brisa de inverno
Nas veias que trazem sangue ao meu coração, bombeiam muito mais jatos de melancolia que qualquer outra coisa, o sangue é uma mera fantasia, dele só fica o gosto na boca. Sempre vivi com a idéia concebida de que um dia eu me olharia no espelho e não mais reconheceria aquele ser refletido, talvez estivesse velho demais ou ainda jovem, mas o peso da maturidade seria tão grande que a imagem refletida no espelho se tornaria estranha e eu sentiria uma saudade descomunal de coisas que ficam guardadas lá na caixa que pulsa. Crescer dói, viver dói, tudo dói... Eu sucumbo à dor facilmente. E pensar que tudo se resumiria a um sonho, daqueles que surgem no meio da noite e acordamos chorando, assustados...
And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?
[Fix you, Coldplay]