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“I have stood here before inside the pouring rain
With the world turning circles running 'round my brain
I guess i'm always hoping that you'll end this reign
But it's my destiny to be the king of pain...”
(King of pain, The police)

Encontro com James Dean*

* texto de ficção guardado há muito tempo no caderninho de ilusão, mas somente publicado depois que resolvi acordar os mitos escondidos dentro de mim.
Pra começar, quero deixar claro, desde já, que uma das minhas manias favoritas é quebrar correntes... Adoro fazer isso... Mas essa eu não consegui quebrar, já que sua proposta é extremamente interessante e me motivou a fazer um mergulho existencial em mim mesmo. Mas, eis o regulamento:
"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.”.

Então, vamos lá...
Mania 01) Eu tenho uma guitarra imaginária e vivo usando-a
Mania 02) E já que falei de música na primeira mania, a saga persiste... Sou viciado em música alta. Não consigo me concentrar se não estiver sob forte som alto. Ah! E meu estilo musical favorito,senão único, é Rock, então, aqui em casa o povo ou tapa os tímpanos ou simplesmente se acostuma com a barulheira. Inclusive, neste momento escuto Épica (Solitary Ground) no último volume... Mas Legião Urbana, Creed, Evanescence e Silverchair ainda são os meus favoritos na hora de estudar, ler, escrever e pensar...
Mania 03) tenho um visual que me faz ser único... Camisa preta (com estampas de banda de rock ou com alguma caveira, anjos caídos, esqueletos e etc.), jeans e All Star no pé, sempre. Quando vou comprar roupas novas, vou direto às camisas pretas... é uma mania que adoro: ter um visual próprio, ser eu mesmo no meu próprio jeito de me vestir. As variações desse estilo só destoam em ocasiões raras, quase inexistentes, mas mesmo assim o All Star não sai do meu pé.
Mania 04) minha quarta mania é não saber mentir para as pessoas que eu amo. A mentira não flui de maneira alguma e acabo me entregando com contradições ou com o olhar. Acredite: se eu te amo e mentir, você descobrirá!
Mania 05) sou um poço de melancolia... (sem comentários! Quem acompanha o blog, sabe do que estou falando...).
02)Mateus
05)Carla Renata
“...But I see your true colours, shining through
I see your true colours, and that's why I love you
So don't be afraid, to let them show
Your true colours, true colours
Are beautiful, like a rainbow...”
(True colors, Cindy Lauper)

Tudo é para sempre
“... Venha, meu coração está com pressa
quando a esperança está dispersa
só a verdade me liberta...”
(Legião Urbana)
Depois daquela sua promessa de retorno, que nunca existiu na realidade, fiquei a me questionar as agruras de um pobre coração apaixonado... Seremos eternos aprendizes da fartura do amor medíocre? Seremos porcos a nos lambuzar nas lamas do desprezo? Que força incessante é essa que nos motiva a crer que tudo vai passar mediante disponibilidade do tempo de curar tudo? Fico a me perguntar que raios de idéia passava na mente do cupido idiota quando resolveu flechar meu coração ? Se há coisas para sentir e outras para apenas compreender, eu prefiro fazer o caminho inverso: não sinto, nem compreendo. Fecho meu coração com cadeado e jogo a chave pela janela numa avenida barulhenta e movimentada. Custo a acreditar que tudo é assim, tão efêmero, a ponto de você não me enxergar na rua... Serei eu apenas mais uma figurinha repetida na sua vasta coleção? Ao descartar uma pessoa, até mesmo educadamente, você descarta também um coração... Aprendi isso na prática. Não, não descartei ninguém, não foi preciso, tem coisas que a gente aprende sem experienciar... Eu me recuso, há dias, a me olhar no espelho... Aliás, andei quebrando alguns. Você acredita em superstições? Mas do jeito que minha vida está, não dá pra piorar, então aguardo com um sorriso blasé os sete anos de azar. Peguei seus pertences e pedi que um mendigo entregasse em sua casa, por troca de dez reais... Prefiro me desapegar de um passado existente com atitudes máximas de um presente que dá pra suportar se eu souber que isso não é meu futuro. E não preciso de bola de cristal para saber que o meu futuro guarda algo superior a mim. Engraçado, me fez recordar aquela personagem do livro da Clarice Lispector... Aquela figura, desgraçadamente errante, lembra-me em alguns aspectos. Macabéia, seu nome. Mas há uma diferença gritante entre eu e ela: eu guardo o tudo do nada para não me iludir mais, meus sonhos beiram a pirotecnia, senão alegrias e sucessivas felicidades. Ah, agora me lembro de outra personagem de um outro livro da Clarice... Fez-me lembrar a Joana, de “Perto do coração selvagem”, aquela se questionava sobre o que viria depois da felicidade. Não sei se refaço a pergunta, mas aguardo ansiosamente para poder vivenciar tudo isso... A propósito, você conhece a felicidade? Junto com a carta envio duas caixas de Lexotan, mais uma garrafinha de 290ml de coca-cola, talvez saber que, sem você, meus dias estão bonitos te deprima... Mas eu estou muito bem, sim. Amém! Estou destruindo meu vínculo com o passado aos poucos, não em doses homeopáticas ou em suaves prestações. Hoje, eu quero mais aventura, mais curtição, mais cores no meu arco-íres, mais vida nas minhas relações... Mas não pense que tenho ódio de você. Descobri tarde demais que você não é bêbado, nem eu sou equilibrista, portanto nunca seremos uma canção perfeita.então porque teria ódio, não é mesmo?
Ela terminou de escrever, dobrou o papel, beijou o envelope e o jogou no lixo. Quer saber? Deixa ficar assim, tudo bem subentendido... Catou os remédios espalhados na mesa e procurou o vaso de lixo. Estava livre, finalmente, não só de um amor que a fazia sofrer, mas de palavras que estavam engasgadas em sua garganta, que o outro nem precisava ler, afinal, escrevera a carta para si mesma.

“... E o tempo é só meu
e ninguém registra a cena...”
(Pitty)

Desci as escadas correndo... Faltava tão pouco para conseguir atingir certos objetivos. Desci correndo, nem me dei conta que tudo poderia parar naquele momento e os sentimentos ficariam ali, congelados. Eu sorria nas ruas, pensavam que eu estava louco, mas na hora que desliguei o telefone, antes de sair à sua procura, eu senti uma paz e uma alegria tão extremadas que não me contive... Era isso que me faltava, sabe? Um ideal. Às vezes é necessário eleger uma causa para que possamos escolher morrer e/ou viver por ela. Estava frio, chovia tanto, mal sentia molhar meu corpo... Cheguei à sua casa e você já tinha saído, provavelmente para me encontrar. Desci correndo novamente a rua do parque pra ver se te encontrava no caminho oposto ao que tinha percorrido... De repente, te avistei de longe. Meu coração batia tão forte que parecia me sufocar, gritei seu nome na imensidão,e você estava lá, com seu guarda-chuva, entre as pessoas que tentavam se proteger na rua. Nos abraçamos, nos beijamos... Era muito bom te ter ao meu lado, viu?
Acordei.
Bucólico adj. 1. Relativo à vida e costumes do
campo e dos pastores. 2. Campestre, rústico.
3. Que canta ou exalta as belezas da vida campestre,
da natureza.

Foi de uma cidade a outra encontrar seu grande amor... No caminho, de ônibus, olhava a paisagem e de repente se lembrou de sua infância. Ah, reportou-se suavemente a um tempo bom...
Toda aquela vegetação florida bem típica da primavera era tão freqüente à sua vida no campo... Flores, cores, borboletas... Quando criança chegara a deitar no pasto e imaginar figuras no formato das nuvens, que até o presente momento, para aquele menino, eram feitas de algodão. Chegava se coçando em casa, devido o atrito do mato no seu corpo e tomava banho num rio que corria atrás de sua casa. Nadava, brincava, esquecia-se do tempo, voltava resfriado pra casa, morrendo de frio e com os dedos já enrugados. Mas no dia seguinte, fazia a mesma coisa. Depois de jantar, se preparava pra ir dormir, o corpo pedia uma cama urgente, estava muito cansado... E no outro dia, acordava com o canto do galo. Era a hora de ir ver seu pai tirar leite da vaca no curral... O dia mal começara e como não tinha nenhuma preocupação, já ia até a mata tentar pegar algum passarinho, para soltar em seguida, já que morria de medo de um dia ficar preso na gaiola, como sua avó contava sobre o caso do menino perverso que prendia passarinhos na gaiola e um dia os pássaros se rebelaram e prenderam-no numa gaiola também. Dia de chuva não era problema, fazia barcos de papel com jornal velho e assistia feliz o barquinho seguir seu rumo... Despistava a mãe e tomava banho de chuva, mantinha a boca aberta para que as gotas caíssem em sua boca, perdeu a conta de quantas e quantas vezes ficou gripado depois de passar a tarde na chuva. Apenas não gostava de trovoada, ficava sentado num canto ou do lado de sua mãe, rezando baixinho pedindo para que a tempestade passasse logo. Sua avó, mais uma vez, contara-lhe que os trovões eram reclamações de Deus... E em dia de trovoada, Deus estava muito zangado. Fechava os olhos bem apertados e tentava dormir... O dia amanhecia, normalmente envolto com uma neblina rala, e o sol timidamente distribuía seus raios levemente...
De repente, chegou ao seu local de origem, se emocionara com as recordações, sua namorada esperava-o no fim do corredor, abraçou-a forte e ela sem entender nada retribuiu o abraço emocionado, seguiram de mãos dadas. Ela pensou que era saudades dela, e de fato, também era, mas ele se lembrou de um tempo que não volta nunca mais... E doía saber que o tempo não pára e num momento qualquer só vão sobrar recordações.
...Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho...
(Cazuza)
