Eu Sou


Eu... Poeta fajuto, filósofo de beira de estrada, existencialista luxuoso, burguês mal amado, palhaço triste... Uma contradição... Por fim, anjo com asas de arlequim, com muito orgulho!

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UOL

 



“I have stood here before inside the pouring rain
With the world turning circles running 'round my brain
I guess i'm always hoping that you'll end this reign
But it's my destiny to be the king of pain...”

                          (King of pain, The police)

 

sombra.jpg

 

Me apego a detalhes, sou minimalista ao extremo... Guardo cada impressão por menor que seja, mesmo as tensões labiais. Seguro meu sopro e respiro aliviado ao passar por dentro de mim sem vislumbrar meus hábitos que incomodam o meu ser, realmente. Aos outros, resta a dura tarefa de tentar me compreender, como se isso fosse fácil... Compram-se meia dúzia de pensamentos meus e insistem em dizer que já me conhecem... Gosto de brincar com os dualismos da minha persona... É simplesmente fantástico ver o olhar dos outros sedentos de curiosidade em descobrir mistérios que deixo como pistas de um crime perfeito. Julgam por minhas vestes, meu jeito de sorrir, meus gostos (literários, musicais, sexuais...), me sinto um ratinho de laboratório sendo, inevitavelmente, usado em experiências grotescas e de finalidades estúpidas. O fato de minha existência preceder a minha essência também incomoda. “Mero existencialista medíocre”, dizem. E sequer escuto a voz dos ressentidos. Leio Sören (grande amigo e companheiro das madrugadas insones) e durmo tranqüilo. Cansei de ser julgado pelos detalhes, mas não nego que muitas vezes forço uma interpretação e me desminto aos poucos para deixar quem se atreve a me re-conhecer num dilema excessivo, numa dúvida ocasionada por mera sagacidade. Gosto de me fazer dia e me mostrar noite aos meticulosos seres inaudíveis. Inefáveis são estes que se prendem ao papel de viverem em torno de cenas... A vida está aquém disso, e eu estou além deles. Mesmo que seja em meu pensamento. Estou guardando cada gota dessa fonte inesgotável para continuar vivendo do meu jeito... Meus valores são meus. E meus detalhes, embora não me justifiquem, estão remendados numa colcha mal costurada no porão da minha alma.



- by Júnior Creed at 15h56
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Encontro com James Dean*

 

 

Certamente estaria mais contente se não estivesse atrasado para o encontro. Precipitado, depois de pouca conversa, resolvi descobri quem estava por trás da alcunha famosa. Acredito que quando as coisas têm que acontecer, não há impedimento. Há um dimensão de sintonia cósmica que insiste em cruzar certos caminhos e, simplesmente, fazem a coisa acontecer... Peguei uma roupa menos casual que mantivesse minha sobriedade e aguçasse minha aura (se é que isso é possível) para que na hora que nossos olhares se encontrassem, acontecesse um choque, um raio cairia sobre nossas cabeças e nos partiria em muitos e, assim, esqueceríamos do que poderia acontecer na posterioridade. Confesso que poucas vezes na minha vida, me mantive naquele estado: centrado. Se há outra definição, desconheço. Calmamente segui até o local que aconteceria o tal encontro. O ambiente era agradável, havia um som do Morrisey ao fundo, até perceber que havia chegado cedo. Pedi algo forte para beber, quem sabe para ter coragem de permanecer naquele local, já que minha insegurança era visível. Segurando a segunda taça de Vodka, avistei o ser misterioso que me tirara o sono há dias. Nos encontramos num olhar sério, talvez de surpresa ou de alívio pelo fim do mistério... Estávamos, finalmente, frente a frente. Nos cumprimentamos com um sorriso, uma admiração mútua aconteceu... E se eu tinha algum medo (ah, a gente nunca sabe...), todo o receio foi embora naquele momento. Sequer conversamos, o silêncio falou por nós. Por fim, levantei-me diante de sua persona, agradeci pela noite numa fala que saiu quase como um sussurro e saí sem olhar pra trás... Agora sim estava com medo, de não conseguir dizer não... Passos apressados me levavam de volta para meu apartamento. Até que ouvi uma buzina, vi um sorriso e vislumbrarei um olhar frágil... Ah, nem tive como resistir. Passei a noite envolto a contos, risos e surpresas. Quando um olhar fala mais que mil palavras, eu já sei que estou apto a crer que a vida, nada mais é, que uma sucessão de boas surpresas.

 

* texto de ficção guardado há muito tempo no caderninho de ilusão, mas somente publicado depois que resolvi acordar os mitos escondidos dentro de mim.



- by Júnior Creed at 15h42
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Pra começar, quero deixar claro, desde já, que uma das minhas manias favoritas é quebrar correntes... Adoro fazer isso... Mas essa eu não consegui quebrar, já que sua proposta é extremamente interessante e me motivou a fazer um mergulho existencial em mim mesmo. Mas, eis o regulamento:

 

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.”.

Então, vamos lá...

 

Mania 01) Eu tenho uma guitarra imaginária e vivo usando-a em público. Passo muita vergonha, pois inesperadamente já estou dedilhando Rebirt do Angra na frente da galera que, com razão, pensa que eu sou doido. Também pudera, né?

 

Mania 02) E já que falei de música na primeira mania, a saga persiste... Sou viciado em música alta. Não consigo me concentrar se não estiver sob forte som alto. Ah! E meu estilo musical favorito,senão único, é Rock, então, aqui em casa o povo ou tapa os  tímpanos ou simplesmente se acostuma com a barulheira. Inclusive, neste momento escuto Épica (Solitary Ground) no último volume... Mas Legião Urbana, Creed, Evanescence e Silverchair ainda são os meus favoritos na hora de estudar, ler, escrever e pensar...

 

Mania 03) tenho um visual que me faz ser único... Camisa preta (com estampas de banda de rock ou com alguma caveira, anjos caídos, esqueletos e etc.), jeans e All Star no pé, sempre. Quando vou comprar roupas novas, vou direto às camisas pretas... é uma mania que adoro: ter um visual próprio, ser eu mesmo no meu próprio jeito de me vestir. As variações desse estilo só destoam em ocasiões raras, quase inexistentes, mas mesmo assim o All Star não sai do meu pé.

 

Mania 04) minha quarta mania é não saber  mentir para as pessoas que eu amo. A mentira não flui de maneira alguma e acabo me entregando com contradições ou com o olhar. Acredite: se eu te amo e mentir, você descobrirá!

 

Mania 05) sou um poço de melancolia... (sem comentários! Quem acompanha o blog, sabe do que estou falando...).



- by Júnior Creed at 21h11
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Saí ileso desse questionário e agora elejo as outras cinco pessoas que darão continuidade à brincadeira...

 

01)Rafael oliveira

02)Mateus

03)Juliana Adolfo

04)Raphael Máximo

05)Carla Renata

 

 E como toda corrente que se preza tem um castigo para quem quebrá-la, essa não foge à regra: a praga dos mil camelos tibetanos.Ah, não conhece? Bom, esta praga tem a seguinte maldição inclusa: Que as pulgas de mil camelos tibetanos infestem o meio de suas pernas e seus braços estejam amarrados e não possa se coçar.



- by Júnior Creed at 21h11
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“...But I see your true colours, shining through
I see your true colours, and that's why I love you
So don't be afraid, to let them show
Your true colours, true colours
Are beautiful, like a rainbow...”

           (True colors, Cindy Lauper)

Ah, silêncio latente que se torna ensurdecedor pra mim. Depois de dias longe do mundo ideal, que nem de longe é este mundo real aqui, me reporto pra lá como que em busca de mim mesmo ou de parte de mim que fica aí ou ali, em qualquer canto, jogado, esquecido, perdido... Nem mesmo a voz que insiste em falar aqui dentro de mim é capaz de sossegar esse meu lado meio medroso de ser. Tenho receio de muitas coisas e essas pessoas medrosas, tanto quanto eu, que insistem em atravessar meu caminho, são reflexos de um espelho quebrado meu. Vão passando, vou reconhecendo, vou sentido e trazendo pro meu lado, pois como já disse o poeta Rilke, o amor são duas solidões protegendo uma a outra... Majestosos fenômenos esses de reconhecer cores reais que estão no outro. Desde a aura, passando pelo enigma que há atrás de um olhar, o ruído de um sorriso ou simplesmente o calar, porque em silêncio tudo se mostra verdadeiro. É no silêncio que as fadas saem de dentro de nós e tilintam pós mágicos pelos ares, iluminado a noite escura de nossas almas, nos revelando nus e crus aos olhares curiosos e sedentos por saberem o que há detrás das máscaras de nossa própria indulgência. É no silêncio que as cores reais de cada um tomam forma... Falamos e ouvimos com as batidas ritmadas do coração. O silêncio é o novo barulho, o silêncio é o novo poema que a vida insiste em recitar, o meu silencio é queimação visceral. Me conduz e fala por mim. E, por isso, eu me calo...



- by Júnior Creed at 17h20
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Tudo é para sempre

 

 

                                                          “... Venha, meu coração está com pressa

                                                                 quando a esperança está dispersa

                                                                  só a verdade me liberta...”

 

                                                                                         (Legião Urbana)

 

 

       Depois daquela sua promessa de retorno, que nunca existiu na realidade, fiquei a me questionar as agruras de um pobre coração apaixonado... Seremos eternos aprendizes da fartura do amor medíocre? Seremos porcos a nos lambuzar nas lamas do desprezo? Que força incessante é essa que nos motiva a crer que tudo vai passar mediante disponibilidade do tempo de curar tudo? Fico a me perguntar que raios de idéia passava na mente do cupido idiota quando resolveu flechar meu coração  ? Se há coisas para sentir e outras para apenas compreender, eu prefiro fazer o caminho inverso: não sinto, nem compreendo. Fecho meu coração com cadeado e jogo a chave pela janela numa avenida barulhenta e movimentada. Custo a acreditar que tudo é assim, tão efêmero, a ponto de você não me enxergar na rua... Serei eu apenas mais uma figurinha repetida na sua vasta coleção? Ao descartar uma pessoa, até mesmo educadamente, você descarta também um coração... Aprendi isso na prática. Não, não descartei ninguém, não foi preciso, tem coisas que a gente aprende sem experienciar... Eu me recuso, há dias, a me olhar no espelho... Aliás, andei quebrando alguns. Você acredita em superstições? Mas do jeito que minha vida está, não dá pra piorar, então aguardo com um sorriso blasé os sete anos de azar. Peguei seus pertences e pedi que um mendigo entregasse em sua casa, por troca de dez reais... Prefiro me desapegar de um passado existente com atitudes máximas de um presente que dá pra suportar se eu souber que isso não é meu futuro. E não preciso de bola de cristal para saber que o meu futuro guarda algo superior a mim. Engraçado, me fez recordar aquela personagem do livro da Clarice Lispector... Aquela figura, desgraçadamente errante, lembra-me em alguns aspectos. Macabéia, seu nome. Mas há uma diferença gritante entre eu e ela: eu guardo o tudo do nada para não me iludir mais, meus sonhos beiram a pirotecnia, senão alegrias e sucessivas felicidades. Ah, agora me lembro de outra personagem de um outro livro da Clarice... Fez-me lembrar a Joana, de “Perto do coração selvagem”, aquela se questionava sobre o que viria depois da felicidade. Não sei se refaço a pergunta, mas aguardo ansiosamente para poder vivenciar tudo isso... A propósito, você conhece a felicidade? Junto com a carta envio duas caixas de Lexotan, mais uma garrafinha de 290ml de coca-cola, talvez saber que, sem você, meus dias estão bonitos te deprima... Mas eu estou muito bem, sim. Amém! Estou destruindo meu vínculo com o passado aos poucos, não em doses homeopáticas ou em suaves prestações. Hoje, eu quero mais aventura, mais curtição, mais cores no meu arco-íres, mais vida nas minhas relações... Mas não pense que tenho ódio de você. Descobri tarde demais que você não é bêbado, nem eu sou equilibrista, portanto nunca seremos uma canção perfeita.então porque teria ódio, não é mesmo?

 

Ela terminou de escrever, dobrou o papel, beijou o envelope e o jogou no lixo. Quer saber? Deixa ficar assim, tudo bem subentendido... Catou os remédios espalhados na mesa e procurou o vaso de lixo. Estava livre, finalmente, não só de um amor que a fazia sofrer, mas de palavras que estavam engasgadas em sua garganta, que o outro nem precisava ler, afinal, escrevera a carta para si mesma.

olhos.jpg

 



- by Júnior Creed at 16h54
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“... E o tempo é só meu

e ninguém registra a cena...”

                      (Pitty)

Desci as escadas correndo... Faltava tão pouco para conseguir atingir certos objetivos. Desci correndo, nem me dei conta que tudo poderia parar naquele momento e os sentimentos ficariam ali, congelados. Eu sorria nas ruas, pensavam que eu estava louco, mas na hora que desliguei o telefone, antes de sair à sua procura, eu senti uma paz e uma alegria tão extremadas que não me contive... Era isso que me faltava, sabe? Um ideal. Às vezes é necessário eleger uma causa para que possamos escolher morrer e/ou viver por ela. Estava frio, chovia tanto, mal sentia molhar meu corpo... Cheguei à sua casa e você já tinha saído, provavelmente para me encontrar. Desci correndo novamente a rua do parque pra ver se te encontrava no caminho oposto ao que tinha percorrido... De repente, te avistei de longe. Meu coração batia tão forte que parecia me sufocar, gritei seu nome na imensidão,e você estava lá, com seu guarda-chuva, entre as pessoas que tentavam se proteger na rua. Nos abraçamos, nos beijamos... Era muito bom te ter ao meu lado, viu?

 

Acordei.

 



- by Júnior Creed at 18h46
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Bucólico adj. 1. Relativo à vida e costumes do

campo e dos pastores. 2. Campestre, rústico.

3. Que canta ou exalta as belezas da vida campestre,

da natureza.

imagem retirada do site:

http://www.elenagorla.com/Campo%20di%20grano.htm

 

     Foi de uma cidade a outra encontrar seu grande amor... No caminho, de ônibus, olhava a paisagem e de repente se lembrou de sua infância. Ah, reportou-se suavemente a um tempo bom...

     Toda aquela vegetação florida bem típica da primavera era tão freqüente à sua vida no campo... Flores, cores, borboletas... Quando criança chegara a deitar no pasto e imaginar figuras no formato das nuvens, que até o presente momento, para aquele menino, eram feitas de algodão. Chegava se coçando em casa, devido o atrito do mato no seu corpo e tomava banho num rio que corria atrás de sua casa. Nadava, brincava, esquecia-se do tempo, voltava resfriado pra casa, morrendo de frio e com os dedos já enrugados. Mas no dia seguinte, fazia a mesma coisa. Depois de jantar, se preparava pra ir dormir, o corpo pedia uma cama urgente, estava muito cansado... E no outro dia, acordava com o canto do galo. Era a hora de ir ver seu pai tirar leite da vaca no curral... O dia mal começara e como não tinha nenhuma preocupação, já ia até a mata tentar pegar algum passarinho, para soltar em seguida, já que morria de medo de um dia ficar preso na gaiola, como sua avó contava sobre o caso do menino perverso que prendia passarinhos na gaiola e um dia os pássaros se rebelaram e prenderam-no numa gaiola também. Dia de chuva não era problema, fazia barcos de papel com jornal velho e assistia feliz o barquinho seguir seu rumo... Despistava a mãe e tomava banho de chuva, mantinha a boca aberta para que as gotas caíssem em sua boca, perdeu a conta de quantas e quantas vezes ficou gripado depois de passar a tarde na chuva. Apenas não gostava de trovoada, ficava sentado num canto ou do lado de sua mãe, rezando baixinho pedindo para que a tempestade passasse logo. Sua avó, mais uma vez, contara-lhe que os trovões eram reclamações de Deus... E em dia de trovoada, Deus estava muito zangado. Fechava os olhos bem apertados e tentava dormir... O dia amanhecia, normalmente envolto com uma neblina rala, e o sol timidamente distribuía seus raios levemente...

     De repente, chegou ao seu local de origem, se emocionara com as recordações, sua namorada esperava-o no fim do corredor, abraçou-a forte e ela sem entender nada retribuiu o abraço emocionado, seguiram de mãos dadas. Ela pensou que era saudades dela, e de fato, também era, mas ele se lembrou de um tempo que não volta nunca mais... E doía saber que o tempo não pára e num momento qualquer só vão sobrar recordações.

 



- by Júnior Creed at 12h41
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...Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho...

              (Cazuza)

 

Tarde da noite e eu ainda te esperando sentado na minha cama com um livro de sonetos da Florbela Espanca sob meu peitoral... Como eu queria que você estivesse aqui, intacto entre minhas mãos, paixão. Ontem esse silêncio foi permeado pelo barulho de nossos beijos e agora está tudo tão vazio aqui... Engraçado como a ausência quando não é consentida tem ares de amor perdido, amor que veio pra ficar e não ficou, amor que morreu sem nossa permissão... Mas você vem me perguntar: E existe morte com consentimento? E eu te respondo que existe sim. Sabe aquele dia que eu permiti que você me deixasse? Eu te deixei morrer ali... Sequer sabia o que era amor e talvez nem saiba ainda. Sou novo, como dia que amanhece, e me renovo à base de carinho. Mas quero que saiba que meu coração foi dentro daquela mochila que você jogou nas costas. Meu coração ainda está lá pulsando. Sinto aqui o barulho... Perguntei sobre o tempo e você me respondeu que ele cura... Mas quem quer se curar de um amor gostoso? Se não deu certo, não era amor. Será que mais uma vez a paixão me ludibriou? Receio que sim, temo que não. Coração se engana, cupido idiota? Mas fica quieto aqui perto de mim, em minhas lembranças. Preciso buscar o sono da minha imaginação, converso com você como se ainda estivesse aqui em meu quarto abastecendo-se de meu ser suavemente, mas que caminho seguir quando todos me levam até você? Seu fascínio, esse dilema carnal, ou melhor, visceral, me toma aos poucos. Levanto da cama, somente a companhia da Florbela nessa noite vazia me inspira lembranças passadas. Ouço suas pegadas no meu chão frio... Seus pés... Que bom que você voltou... Senti tanto a sua falta... Não estou mais sozinho...

O dia amanhece e me deparo com minha solidão... Você não veio, foi ilusão. O livro de sonetos numa poesia intitulada Fanatismo responde minha pergunta crucial: seria esse meu sentimento por você, idolatria? Se ao te ver chegar em sonhos, a confiança se restabelece, novas formas de viver, do nada, aparecem... Já não sei se te quero aqui comigo. Desculpe-me a incerteza repentina, mas no meu princípio e fim, já não tem lugar para fantasias de uma mente perturbada. Vou me manter calado, antes que a mágoa faça morada em nossa alma e eu me arrependa de te deixar ir embora, sem olhar pra trás, de uma vez por todas, pra sempre. Palavras de amor ressentido nunca me fizeram bem.



- by Júnior Creed at 20h56
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