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“...Take a chance like all dreamers”

Acordei disposto a mudar a cena da situação... Nada de lágrimas, pensamentos confusos, baderna dentro de mim... Apaguei todos os tópicos mal sucedidos, tomei um banho frio e fui á luta. Saí de casa extremamente motivado... (alguém acredita mesmo?)
Agora a verdade: estou ainda um pouco impaciente, falando baixo, chato e confuso... Não consigo me prender em nada por mais de cinco minutos, mas estou levantando pouco a pouco. O ruim da situação foi o despreparo... Maquiei os versos, tapei meus ouvidos, tirei meus óculos... O mundo embaçado é tão menos deprimente... E se as nuvens fossem feitas de algodão doce, melhor ainda! Estou tentando fazer da minha caminhada terrestre, uma maratona. Coro, corro, corro, derrubo obstáculos e sigo ainda, parece não ter fim. Não tenho tempo para descansar. Corro contra o ócio, a estúpida vontade de ficar deitado sob um cobertor que mais parece uma redoma de vidro, me protege de olhares curiosos e perguntas idiotas: “o que você tem, menino?”.
E, como se não bastasse, arrumei um meio fantástico de sair de cena, sem perder os capítulos dessa intrigante novela que está sendo a minha vida... Estou vivendo de passado pra não pensar no presente... Músicas, filmes, livros... De terça-feira até hoje já achei uma coletânea do Duran Duran (“Don´t save a prayer for me now...” nunca um verso fez tanto sentido pra mim, meus nobres amigos), um livro do John Fowles (“O colecionador”) e assisti “O iluminado”, além das fotos do Alex DeLarge no meu messenger, indicando que a Laranja continuará eternamente mecânica. Pelo menos por enquanto pra mim. Estou viciado no passado, como se uma maquina me transportasse pra lá e me mantesse preso nesse “Back to the future” ás avessas (Mais uma alusão ao passado)... O presente é tão incerto quanto o pulsar do meu coração... ah, vou te rever na Terça-feira, mas até lá fica uma questão: “Se não eu, quem vai fazer você feliz?” (na voz do Zeca Baleiro, é claro). Esta é a prova concreta de que nem eu me reconheço diante de retalhos de um amor impossível.
Recomendações devidamente citadas no post:
Eu só queria ter você por perto...

Certas escolhas circundam nossas existências eternamente... São como tratados assinados com uma arma apontada pra cabeça... Eu queria estar longe de você agora não só de corpo, pois assim estou, mas de coração. Queria não estar sentindo raiva porque sempre erro, porque te amei tão de repente que não consegui explicar as coisas como elas são, porque estive ludibriado por esse sentimento de extremo dualismo, porque permiti que você germinasse dentro de mim a semente da esperança. Me sinto burro, infantil e envergonhado... Como pude acreditar em palavras que não saíram de sua boca? Você se calou durante todo esse tempo, permitindo que eu nutrisse tudo sozinho, me alimentando de sua voz, seu suor, seu sorriso, sua alma... Me alimentei de você calado, enquanto o tempo passava e eu te perdia. Mas como te perdi se sequer te tive? Como te perdi se sequer você esteve entre meus pertences particulares? Envolto em contos, sonhos e tardes movimentadas, você está indo embora antes do espetáculo findar... E eu queria ser igual a você neste momento... Antes que as cortinas fechassem, o público levantasse e aplaudisse de pé, no apagar das luzes queria sair de fininho, para que ninguém visse meu desapontamento estampado na minha face suja... Suja de rancor, de mim mesmo, não de você. Com o sentiria rancor de um ser que, sem ao menos saber, foi o único motivo que me fez viver e não apenas existir nos últimos meses? Você foi minha incógnita perfeita, o ponto central na minha redação. Perdi noites e ganhei dias porque só te contemplar já era o remédio capaz de curar minhas dores na alma. Minhas asas permanecem machucadas... Meu sorriso já não é mais o mesmo... Eu te elegi, sem sua permissão e pagarei o preço de um amor impossível. Cante para que meu sono venha mais rápido e eu possa sonhar com você... Se na realidade, sua presença ao meu lado é inconcebível, em sonhos essa realidade latente anestesia e embala meu sono.
Por perto
(Pato Fu)
Num velho disco a vida se desfaz
Em poucos minutos
Pra onde aquele tempo te levou
Também vou
Pode ser numa canção
Pode ser do coração
Eu so quero ter você por perto
Se é pra tocar o ceu e me lembrar
Do canto de um anjo
Naquele empoeirado LP
Encontro você
Foi-se o tempo em que sozinho
Maltratei meu coração
Me contou um passarinho:
Tristeza é sem razão
“Então me abraça forte
E me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo...”
(Legião Urbana)

Minha vida segue na base de dropes de eucalipto, ilusões e Legião Urbana...
Lembro-me do filme “dançando no escuro” no qual a Selma, personagem da cantora Björk, precisa se refugiar num mundo imaginário pra tolerar a realidade que insiste a ser terrivelmente desesperadora. Às vezes tenho que seguir os exemplos da personagem porque só assim consigo resistir a esse peso que é existir e encarar-me como ser imutável, muitas vezes. Pode ser até coisa de astrólogo de quinta categoria, mas às vezes o destino é meio cruel e mesmo que tenhamos como escolher que caminho seguir, escolhemos o pior e chegamos intactos ao fim desse caminho que não nos leva a lugar algum... O fato de eu estar ludibriado pelo instinto apaixonado, não quer dizer que tenha que encarar a vida da melhor maneira possível, pois o amor que me rege talvez não seja meu único motivo de estar vivo. Minhas asas de anjo estão muito machucadas e qualquer passo em falso já é o bastante para que eu caia e não levante nunca mais. Mas chega de redação fragmentada, de pedaços de textos doentis, mal curados e hostis, eu estou cansado de correr contra o vento, mas não há outra saída pra fugir da minha realidade. Eu me canso fácil das coisas e meus projetos quando saem do papel nunca duram mais que o tempo de me entediar e isso não demora muito. Na verdade, preciso de sonhos pra viver, mas me obrigo a não viver só de sonhos. Embora a realidade seja doída, essa é a verdade e não dá pra viver de insignificantes dúvidas metafísicas. Estou além do “ser ou não ser?” de Shakespeare, mas não cheguei “Além do bem e do mau” de Nietzsche... Eu tenho que me superar, essa é a verdade! As imagens que me obrigo a ver, os filmes que vejo, a música que escuto, os sonhos que sonho são pequenos fragmentos meus que justificam e denunciam o fato de eu estar vivo. E parafraseando a doce Olímpia, personagem do livro “Quero minha mãe”, da Adélia Prado, viver dói, mas é melhor viver do que morrer.
“... Always find my place among the ashes...”.
(Lithium, Evanescence)

Acordei tão certo... Acordei ainda com sono... Recuso-me a crer, mas aquele de barba mal feita, cabelo despenteado e bafo sou eu... Eu, um dia, já fui bem melhor... Depois de um tempo, a vida já não te ensina... Viver como forma de aprendizado já não é a melhor coisa, é como ler lendas,viver de promessas que nunca se cumprirão... A visão real do todo que nos foi obrigado a ter é tão imensuravelmente deprimente... Você avista da janela do seu ser almas pairando num universo particular e tudo o que precisa fazer é aceitar as formas de anestesiamento que a vida lhe propõe. Gritos saem da garganta, ecos se reproduzem num barulho ensurdecedor dentro de nós mesmos... Lágrimas, angústias, desesperos... Ah, mundo cruel! Porque eu não durmo o sono dos despreocupados? Porque não fui o escolhido para viver num mundo ao qual eu pertenço? Parafrasear mitos, sussurrar gritos, dosar a dor dos aflitos... Quem disse que é fácil se encarar? Quem disse que é fácil acordar? Quem? Quem?
Passei muito tempo reavaliando meus medos... Cresci numa ocasião onde o pecado castrava a existência e simplesmente o fato de ser eu mesmo já era motivo para uma possível auto flagelação... Relendo meu caderninho de ilusões, percebo o quanto me mantive entorpecido, beirando a ingenuidade suprema... Não sou mais tão medroso assim... Aprendi com o tempo a crer na profecia do “tudo passa” e avisto um horizonte de possibilidades. Amar, ser amado, crescer, morrer... Tudo isso é tão comum e tão ameaçador que beira o interessante... E não tenho o que temer... Tudo vai passar... Até a vontade angustiante de sentir medo.

Confissão
Usado... Suado!
Nu. Frio.
Meu corpo exala luxuria
O medo sucumbe meu ser.
Jogado... Achado!
Descoberto. Vil.
Apenas o aroma do pecado
O medo atormenta meu ser.
Apaixonado... Vago!
Não enxergo minha castidade
O medo maltrata meu ser.
Satisfaço... Condenado!
Abstenho-me de sentir
O medo expulsa meu ser... De mim!
“Que é um poeta? Um ser humano infeliz
que encerra em seu coração profundos tormentos,
porém seus lábios são formados de tal modo
que quando os suspiros e gritos fluem por sobre eles,
ressoam uma linda música”
(Sören Kierkegaard)

Vale da solidão é aquele lugar escondido no cantinho da alma, onde preferimos ficar esperando o tempo passar, aguardando respostas, questionando nossos atos, agruras e inquietações existenciais... É quando saímos de dentro de nós mesmos e nos reportamos a um local onde somente o contato com nosso próprio eu é permitido, confabulações, necessidade de renascimento, enfim, tudo aquilo que é capaz de nos transportar ou nos transmutar acontece no Vale da solidão... É muito mais que um momento, um delinear de situações que nos leva até lá, mas um estado de alma, espírito... Afinal, quem nunca se sentiu sozinho mesmo ao redor de milhares de pessoas? Quem não precisa de um momento só seu para pensar melhor, pra voltar a se reconhecer, pra se iludir com as mais diversas quimeras, para pôr a memória num passado não muito distante, mas muito importante, para matar as saudades de momentos que nunca viveu? Todos nós precisamos... E é no nosso momento introspectivo, lá no apogeu do vale da solidão é que essas coisas fluem... São muito mais que idéias vagas, misturada com cores, mitos ou depressão... Fazer um mergulho existencial requer habilidades múltiplas, pois ao nos embriagarmos de versos mudos, podemos ficar sensíveis à chegada da tristeza... Mas só quem sabe o valor de seus sonhos ou passou a maior parte da vida correndo atrás dele e se vê num dilema de concretização ou não, poderá sair ileso... Pois já traz consigo um escudo imaginário, uma válvula de escape... Pensamentos remotos, amenos, confirmações, arrependimentos... Todos os sentimentos se encontram no vale da solidão... e o único dualismo encontrado é se embriagar ou não em poesias encontradas no decorrer da caminhada sublime... Vivemos em busca de nós mesmos, na exteriorização de nossos sentimentos no outro... Esperamos, nutrimos, almejamos que no fim dessa caminhada o maior prêmio seja nos reconhecermos... Pegarmos nosso espelho paralelo e não vermos mais a imagem do tempo passando através das marcas de expressões faciais, mas encaramos isso como a real necessidade da vida de nos mostrar o amadurecimento estampado no rosto de cada um...